Projeto de viagens em kitesurf busca adaptação em tempos de pandemia



O Surfin Sem Fim 2020 fez um protocolo de segurança e aguarda decisões governamentais para fixar data do primeiro trajeto


A temporada dos ventos, que tem início mais forte em agosto e vai até novembro no Nordeste brasileiro, está prestes a começar. Com ela, a prática de esportes que se aproveitam deste recurso natural, como o kitesurf, aumenta bastante. Mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus no mundo, os praticantes deste esporte buscam alternativas. O Surfin Sem Fim, empresa que promove viagens de kitesurf por praias do Nordeste, anunciou um protocolo de segurança para a temporada de 2020, visando evitar a disseminação da covid-19 entre participantes e pessoas que possam entrar em contato com eles.

A experiência, que é dividida em etapas, aguarda decisões do Governo do Estado do Ceará para confirmar o primeiro trajeto, em agosto, que vai de Fortaleza até a praia do Preá, localizada no município de Cruz. As outras seis etapas já estão marcadas para os meses de setembro, outubro e novembro. As rotas são feitas por praticantes de kitesurf, que, sob o comando de um capitão (um profissional no esporte), viajam por circuitos, com paradas em praias do Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão. Os trajetos variam entre 40 e 1000 quilômetros, com execução entre cinco e nove dias.

O administrador italiano Marco Dalpozzo foi um dos idealizadores do projeto, que existe desde 2013. Ele, que sempre percorreu grandes distâncias no mar (já fez o percurso de Natal a Macapá), quis levar essa experiência para outras pessoas. “O sonho era fazer quilômetros sem para e botar o pé em terra firme, com a prancha no pé e a pipa ao vento. Achei essa experiência incrível, de grande liberdade, de aventura, e entendi que mais pessoas deveriam fazer o mesmo que eu fiz e faço. Considero importante que todos conheçam esses destinos e vivam essa experiência pelo menos uma vez na vida”, ressaltou.

Diferentemente de edições anteriores, quando cada trajeto tinha até 16 participantes, a edição de 2020 terá limites de oito pessoas por circuito, visando reduzir as possibilidades de aglomeração e facilitar o controle do grupo.

O protocolo de segurança, divulgado pela organização da experiência, prevê procedimentos de chegada dos participantes aos locais de viagem, medidas de segurança durante os trajetos, contingências e pernoite dos envolvidos.

Para participar, os clientes e a equipe do evento devem estar assintomáticos para covid-19 há pelo menos 15 dias, além de apresentar comprovantes de testes negativos para a doença. É obrigatório o uso de máscaras de proteção, o distanciamento social (inclusive dentro do mar e durante as pernoites), a medição de temperatura digital (diariamente), além da higienização de mãos, equipamentos e carros de deslocamento.

Caso algum participante apresente sintomas do novo coronavírus, deverá retornar para a pousada (certificada com os protocolos de segurança) e fazer isolamento de no mínimo 14 dias.

Segundo a organização do evento, a procura por participação nos trajetos por europeus diminuiu, pois eles alegam estar com medo de vir para o Brasil, que não vem conseguindo controlar de maneira satisfatória a pandemia do novo coronavírus. Contudo, brasileiros de muitos estados do País são aguardados.

Ao analisar a edição de 2020, sob o contexto da pandemia, Dalpozzo ressaltou que a prática do kitesurf, por ser ao ar livre e manter naturalmente o distanciamento social, traz maior possibilidade de segurança na atual situação. “As pessoas estão com medo de viajar e cada um sabe o momento certo de fazer isso. Uma vez estando na água, não há lugar mais seguro. Além disso, iremos garantir aos participantes a segurança sanitária. Eles cumprirão o protocolo e não será permitida aglomeração, dentro ou fora da água”, disse.

A organização também orienta que o Surfin Sem Fim é direcionado para pessoas que possuem uma experiência mínima de prática de kitesurf, tendo em vista os longos percursos em mar. Contudo, a experiência é voltada para amadores. Somente os capitães dos trajetos, que guiam e dão suporte aos demais, são atletas profissionais do esporte.

Ao adquirir o pacote de um trajeto, os participantes terão direito a pernoite em hotéis, alimentação, transporte, logística, guias, GPS, equipe de emergência, camisas personalizadas e certificados. Contudo, fica a custo de cada um o trajeto de sua cidade de origem para o local da experiência. Os participantes também devem levar seus equipamentos para a prática de kitesurf.


Diario do Nordeste

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