Ceará tem alta na taxa de transmissão da Covid; especialistas apontam possibilidade de 2ª onda



 

Relatório aponta um risco epidêmico de transmissão entre 1,01 e 1,50, quando uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para mais de um indivíduo




O Ceará pode estar prestes a vivenciar uma nova onda de casos da Covid-19, conforme aponta análise feita pelo Comitê Científico do Consórcio Nordeste publicada ontem (23). O boletim alerta para o risco epidêmico de transmissão entre 1,01 e 1,50, ou seja, indica que uma pessoa pode transmitir o vírus para mais de um indivíduo, dado considerado um importante sinalizador para nova fase de grande incidência.

O Comitê cita o número de reprodução do novo coronavírus – simbolizado pelo R(t) – para embasar a previsão. “R(t) maior que 1 é consistente, segundo modelo Mosaic-UFRN, com uma nova onda, ou uma mudança na metodologia de distribuição dos dados”, diz o parecer. O modelo em questão trata-se de um sistema matemático de análise de dados, de acordo com o neurocientista Miguel Nicolelis, coordenador da entidade. 

“A tabela do número de reprodução está em 1,50, e é uma média de sete dias. Esse é um modelo muito preciso, ele tem sido muito bom até agora. Em boletins anteriores, o resultado das nossas previsões foi comprovado na vasta maioria das vezes”, destaca o médico. Esse índice esteve em queda até o fim de agosto. Já na primeira semana de setembro, o número de reprodução havia se estabilizado em 0,7.

Os gráficos apresentados no boletim indicam, ainda, que embora o pico da doença já tenha ocorrido no Estado, há uma retomada de crescimento de casos. Com relação às hospitalizações, os registros são de que houve um pico no mês de junho e que há uma tendência de queda para as próximas semanas.

Na análise de óbitos decorrentes da doença, o Comitê Científico avalia que também já houve o pico e há uma tendência de decaimento diário para as próximas semanas.

O relatório destaca a testagem da população no Ceará como um ponto positivo nas medidas de combate à pandemia do novo coronavírus, tendo um aumento significativo no último mês. “Os modelos mostram números consistentes entre indivíduos testados e previstos”, acrescenta o boletim da entidade.

O Ceará concentrava, até a tarde de ntem (23), 269.255 casos confirmados de Covid-19 e 9.245 mortes em decorrência da enfermidade. Os dados são da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), atualizada às 16h55. O número de pessoas recuperadas chega a 230.203.

Causas

O Comitê responsabiliza o acomodamento da sociedade e a realização das campanhas eleitorais como impulsionadores do aumento de casos. “Certamente, um dos fatores que mais contribuem para esses aumentos é a campanha eleitoral, que vem gerando inúmeras aglomerações em todos locais, onde pessoas desprezam todas as normas sanitárias indicadas pela Organização Mundial de Saúde e outras consideram que o uso de máscara é segurança total contra a transmissão da Covid-19”. 

Os cientistas destacam que “invariavelmente, nas aglomerações o risco desse tipo de contaminação aumenta consideravelmente, gerando a expectativa de que, no período pós-eleição, possa ocorrer uma segunda onda da epidemia”, diz a publicação.

A virologista, epidemiologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Gurgel, compartilha análise semelhante do cenário de formação de uma nova onda da doença pandêmica no Ceará. Além das aglomerações no período eleitoral, ela observa que o relaxamento nas medidas sanitárias pessoais também contribui para o cenário negativo no Estado.

Diário do Nodeste

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