Ceará: Comunidades afetadas por enchentes continuam em risco no interior



 

Na região Norte, há o risco de desalojamento de cerca de 100 famílias ribeirinhas do Rio Acaraú




A um mês para o início da pré-estação chuvosa, que vai de dezembro a janeiro, a situação das famílias que moram às margens de rios expõe um antigo problema que se repete a cada ano: desalojamento, inundações e prejuízos materiais. Em algumas das principais cidades onde houve incidentes neste ano, a resolução do problema pouco avançou e o temor permanece.

As chuvas geralmente, começam em dezembro, no Sul do Estado e, ao contrário do restante do Ceará, caem com mais intensidade entre janeiro e abril - a estação chuvosa cearense é de fevereiro a maio. 

Na região Norte do Estado, o risco de desalojamento de cerca de 100 famílias ribeirinhas do rio Acaraú, em Santana do Acaraú, permanece grande, a exemplo do que ocorreu na quadra chuvosa deste ano. O operador do Sistema de Defesa Civil do município, Tiago Pereira mostrou temor de que o quadro se repita: "A nossa preocupação é que os açudes Araras e Jaibaras estão cheios e nas primeiras chuvas podem sangrar, aumentando o volume do rio rapidamente, e o problema vai se repetir", observa.

Além de Santana do Acaraú, há famílias ribeirinhas em Sobral, Morrinhos, Groaíras e Marco. "Nesses municípios existem os ribeirinhos que estão expostos a cada ano a sofrer alagamento de suas casas e desalojamentos", pontuou Pereira. "As famílias ficam em abrigos, mas quando as águas baixam voltam para suas casas", explica Pereira. Na sua avaliação, a saída seria "a construção de conjuntos habitacionais próximos das cidades, em áreas seguras, e impedimento de edificação de casas em áreas de risco". O Sistema Verdes Mares entrou em contato com a Defesa Civil e o Município, mas não tivemos resposta até a publicação desta matéria.

Em Ubajara, na Serra da Ibiapaba, a parede auxiliar do açude Granjeiro, rompeu, no início de fevereiro passado, em decorrência de fortes chuvas que banharam a região. A água não chegou a atingir residências de moradores, mas invadiu o Balneário do Boi Morto, onde existem alguns estabelecimentos comerciais. Por causa disso, o reservatório, que é particular, passou por obras de reforço sobre a supervisão da Agência Nacional de Águas (ANA).

A coordenadora da Defesa Civil de Ubajara, Daiane França, disse que os serviços foram iniciados, mas mediante a pandemia as obras foram suspensas. "Neste ano, não há risco de rompimento porque a parede está aberta e a água da chuva vai escorrer livremente", esclareceu.

Em Massapê, 16 famílias, a maioria do bairro Nossa Senhora de Fátima, uma área de risco, foram desalojadas, em março passado, com o aumento do volume do Rio Contendas. De acordo com a Defesa Civil do Município, pelo menos 100 famílias vivem próximas ao leito do rio e o risco permanece, porque os moradores retornaram aos locais de maior risco - Alto da Boa Vista, Nanivão e Bandeira Branca, mas o órgão não detalhou o que tá sendo feito para conter o problema.


Diário do Nordeste

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