Prefeitos eleitos receberão como herança muitos problemas e dívidas



 

Metade das prefeituras não tem receita própria para, por exemplo, encarar a despesa da limpeza pública. Primeira providência: contratar um contador acima de qualquer suspeita. Perigo mora na sala de licitações




Para quase todos os prefeitos vitoriosos nas recentíssimas eleições, a herança que lhes deixarão seus antecessores é de arrancar os cabelos.

Metade das prefeituras não tem receita própria para, por exemplo, encarar a despesa da limpeza pública, que é feita de maneira tradicional: o lixo é coletado em caminhões de carroceria comum e despejado em alguma área erma da zona rural, já transformada em monturo de sujeira e povoada de urubus.

Alguns poucos municípios – pouquíssimos – juntaram-se em consórcios e construíram e mantêm aterros sanitários.

Mas são as raras exceções.

Este é um problema.

Mas há outro, também grave e que requer urgente solução: a dívida.

O legado que os novos gestores receberão no dia primeiro de janeiro de 2021 é daqueles de causar arritmia antes, angina durante e enfarte no dia depois da posse.

Se o eleito, homem ou mulher, for de boa índole, comprometido com a seriedade e a austeridade, cercar-se-á de um contador acima de qualquer suspeita (o perigo mora ao lado, na sala das licitações) e, no primeiro dia útil do governo, reduzirá despesas, começando por extinguir o cabide de empregos estendido nos armários das secretarias.

Se o novo prefeito for aliado do anterior, tudo estará mais ou menos bem encaminhado; se for da oposição, porém, o Ministério Público e a Polícia Federal poderão ser chamados a investigar vestígios de malfeitorias.

Em algumas prefeituras, o primeiro mês de janeiro promete fortes emoções.

É neste momento, entre a eleição e a posse, que pequenos e grandes fornecedores das administrações derrotadas tentam aproximar-se das vencedoras.

Faz parte do jogo.

Eigidio Serpa / Diario do Nordeste

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