IFCE: professores do campus de Itapipoca paralisam atividades



 

Durante a paralisação, os docentes pretendem promover atividades que falem sobre as dificuldades enfrentadas pela comunidade acadêmica. Professores chegaram a ter carga horária 50% acima do estabelecido em contrato




Professores do Campus de Itapipoca do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) resolveram paralisar atividades em assembleia encerrada na noite desta sexta-feira, 5. O motivo da decisão é uma relação conflitante com a administração do Instituto, assim como a imposição de carga horária excessiva para os docentes e à comunidade estudantil. O movimento começará na próxima quinta-feira, 11.

Em contato com O POVO, um professor do campus, que terá sua identidade preservada, contou sobre a “dificuldade de diálogo” com a reitoria. Ele falou, por exemplo, sobre a situação durante a pandemia. Quando os alunos relatavam que precisavam de uma carga horária menor durante a crise na saúde, a administração impôs um horário ainda maior que o habitual.

“Os professores não são consultados, a forma como as decisões são tomadas são bastante autoritárias. Devíamos ter mais cuidado com a pandemia, mas foi o contrário: foi imposto uma rotina muito mais dura”, explicou o professor, afirmando que a carga horária maior foi uma tentativa de recuperar o período em que o IFCE ficou com o calendário suspenso — entre março e junho de 2020.

Entre os professores, alguns chegaram a ter carga horária quase 50% maior do que estabelecido em contrato, segundo a fonte ouvida pela reportagem. “A carga horária excessiva é uma proposta que vai contra a ideia do instituto federal, de ter o tripé ensino, pesquisa e extensão. Além do tempo em sala de aula, os professores também se envolvem em outras atividades, que completam a formação”, explica.

Durante a paralisação, que começa na próxima quinta-feira, os professores pretendem promover atividades para conscientizar estudantes e pais sobre a situação que a comunidade acadêmica enfrenta. Na reunião, os docentes ainda deliberaram contra qualquer possível retorno presencial às aulas na instituição sem ampla vacinação de toda a comunidade acadêmica.

A situação é semelhante também em outros campi do IFCE, de acordo com Sindicato dos Servidores do IFCE (SindsIFCE). Segundo a entidade, há um “sentimento de grande insatisfação” com a comunidade acadêmica de outros municípios e o problema com a carga horária excessiva se repete.

O POVO solicitou posicionamento oficial à administração do IFCE sobre a paralisação e aguarda resposta. 


O Povo

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