Camilo Santana decide aceitar convite para o MEC e vai se reunir com Lula, dizem fontes



 


O senador eleito Camilo Santana (PT) decidiu aceitar o convite feito na segunda-feira pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para comandar o Ministério da Educação (MEC), de acordo com fontes ouvidas pelo Valor. Os dois devem se reunir em breve. A escolha por Santana, que demonstrou nos bastidores interesse em chefiar o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), foi uma solução encontrada por Lula após pressão do PT para ficar à frente do ministério.

Inicialmente, o nome cogitado pelo presidente eleito e defendido por Santana era o da governadora do Ceará, Izolda Cela (sem partido). A indicação dela encontrou forte resistência dentro do PT por não ser originalmente da legenda. E também sofreu bombardeio de entidades do setor.

A bancada petista chegou a se mobilizar para tentar emplacar o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes. Com o novo arranjo, contudo, Izolda Cela deve ser a secretária-executiva da pasta.

Na segunda-feira, antes da cerimônia de diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente eleito já havia feito o convite a Santana, mas o martelo não havia sido batido. Neste encontro, segundo interlocutores de Lula, o senador eleito disse que estaria pronto para cumprir missões delegadas pelo petista. O ex-governador integrou o grupo técnico de transição na área de Desenvolvimento Regional.

Senador eleito com maior percentual de votos no Brasil, o cearense se projeta como uma das principais lideranças do PT no Nordeste. Cria dos irmãos Ciro e Cid Gomes na política, governou o Ceará por dois mandatos consecutivos (2015-2022). Com alto índice de popularidade, deixou o cargo no início de abril em razão da disputa eleitoral. Izolda Cela assumiu no seu lugar.

Durante as duas gestões no governo do Ceará, a principal marca é justamente a atuação na área de educação. Conseguiu ampliar a quantidade de escolas em tempo integral e virou referência no Brasil. Ao assumir o governo, Izolda indicou que poderia universalizar o modelo. Com fama de gestor moderno, Camilo Santana, dizem ex-secretários e outros subordinados, costumava acompanhar de perto as execuções das tarefas de cada pasta no governo.

Até as eleições deste ano, embora filiado ao PT, era considerado nas rodas da política local mais “pedetista do que petista”. Mas ele acabou se afastando de Ciro Gomes neste ano em meio a disputas pela chapa ao governo no Ceará.

Fontes disseram ao Valor que o ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) pode assumir o Ministério dos Portos, que seria desmembrado da Infraestrutura no futuro governo Lula. Ele vem sendo cotado para assumir o a pasta da Ciência e Tecnologia ou a das Cidades.

Segundo essas fontes, o Ministério dos Portos agradaria França, que é natural de São Vicente, no litoral paulista. O município é praticamente colado a Santos, onde fica o maior porto brasileiro.

França travou uma disputa com o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para disputar o governo paulista neste ano. Acabou concorrendo ao senado, mas foi derrotado pelo ex-ministro da Ciência e Tecnologia de Bolsonaro Marcos Pontes.

Fontes afirmam ainda que o número de ministérios de Lula pode chegar a 37, ante os atuais 23.


Valor

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