No Preá, o kitesurf traz bons ventos para a hotelaria e o mercado imobiliário




O litoral do Ceará sempre atraiu turistas domésticos e internacionais. Mas, se antes era Jericoacoara que se destacava entre viajantes ao conjugar belezas naturais e aventura, hoje é a vizinha praia do Preá que se consolidou como a meca para fãs de kitesurf.

Localizado a cerca de 12km de Jeri, o Preá é considerado um dos melhores destinos do mundo para a prática do esporte – avaliado por especialistas do setor como uma praia segura inclusive para iniciantes, com ventos “side shore” sem interrupções.

Mais de duzentos mil viajantes buscam o Ceará pelo esporte e aventura e 70% deles (ou 7 em cada 10 turistas) são praticantes de kitesurf, o grande motor turístico e econômico do Preá. Segundo relatório da Secretaria de Turismo do Ceará, a maior parcela dos gastos dos turistas internacionais é justamente com compras, majoritariamente equipamento de kitesurf nas lojas ou escolinhas locais.

Com uma alta estação bastante longa (vai de outubro a março, além de junho, julho e agosto), Preá é ponto de passagem de cerca de 800 mil turistas anuais (segundo estimativa da prefeitura de Cruz, município no qual o Preá está inserido).

E aproximadamente 372 mil deles se hospedam efetivamente nos arredores. O movimento gerado pelo kitesurf pode ser tão grande na alta temporada que algumas escolas de kite da região chegam a ter mais de 60 aulas por dia.

O aeroporto de Jericoacoara (Comandante Ariston Pessoa), inaugurado em 2017, recebe cada vez mais voos regulares de AzulLatam e Gol oriundos de diversas cidades brasileiras, aumentando consideravelmente o fluxo de turistas à região. E, claro, feito com que a cena hoteleira fique cada vez mais aquecida.

Ímã para investimentos de alto padrão

Primeiro foi a pousada de alto padrão Rancho do Peixe que colocou o Preá no mapa internacional como uma espécie de “paraíso do kitesurf”. Com o aumento do fluxo de turistas atraídos pelas condições excepcionais para a prática do esporte, surgiram novos hotéis, condomínios, restaurantes e escolas, como o complexo de luxo Vila Carnaúba, um investimento de US$ 50 milhões de um grupo de investidores, entre eles ex-integrantes da XP. Mas até a XP destinou parte de seus investimentos para lá: realiza o XP Sertões Kitesurf, conhecido também como rally das águas.



Na hotelaria, o caso mais emblemático é o hotel Casana, inaugurado no Preá pouco antes da pandemia. E a história da propriedade é também uma história de amor ao kitesurf entre o empreendedor sueco do setor de tecnologia Jimmy Furland, da Bitpay, e a cearense Natália Laurindo Furland.

Hoje casados, com filhos e vivendo no exterior, resolveram transformar o belo terreno de 10 mil metros quadrados, de frente para o mar, que compraram na praia do Preá (inicialmente pensado para manter uma casa de praia familiar para suas visitas anuais à região para a prática do kitesurf) em um hotel de apenas sete acomodações projetadas pelo arquiteto francês Frédéric Fournier.



O Casana, de longe o mais exclusivo e luxuoso hotel da região, tem acomodações (com mínimo de 80 m² cada, todas com amenidades Clarins e duas delas com piscinas privativas) distribuídas ao redor das áreas sociais: piscina, restaurante, living, bar, spa, academia.

A construção do hotel foi “a realização do sonho de oferecer uma experiência de hospedagem completa, pensada nos mínimos detalhes com o melhor que pudemos experienciar durante nossas viagens ao redor do mundo”, disse Natália ao NeoFeed.

O hotel fica a 20 minutos do aeroporto de Jeri e ainda possui boutique e, é claro, escola de kitesurf – tudo rodeado por impecáveis jardins. Das camareiras aos “hosts”, como são chamados os membros da equipe de concierges do hotel, o staff trabalha com qualidade de serviços e nível de discrição pouco comuns no Brasil.

Todas as refeições, snacks, bebidas não alcoólicas e até o minibar estão incluídos nas diárias que começam em mais de R$ 4 mil. Comandada pelo chef André Wunderlich (ex-Dinner in The Sky), a gastronomia é sempre servida em sistema à la carte, do café da manhã ao jantar, priorizando itens locais e sazonais em um menu enxuto e rotativo.

Antes com maioria de hóspedes estrangeira, passou a ter um bom equilíbrio com o público brasileiro, que conta com clientes assíduos como o apresentador Luciano Huck. Desde o começo da pandemia, passou também a ser um dos casos mais frequentes de buyout (quando a propriedade toda é fechada para uma mesma família, empresa ou grupo de amigos) no país.

O kitesurf segue sendo a grande vedete do hotel entre os hóspedes (que incluem gente do calibre do esportista holandês Lasse Walker, kitesurfista profissional). Seu Kite Lounge tem equipamentos Duo-tone (principal marca para kitesurf no mundo) e instrutores bilíngues formados pela IKO (International Kiteboarding Organization) e ABK (Associação Brasileira de Kitesurfing).

Mas hóspedes alheios ao esporte dispõem de outras experiências na região, incluindo cavalgadas, fat bike, quadriciclos, mergulhos e passeios de buggy pelas dunas e lagoas de Barrinha, a idílica praia vizinha do Preá. Embora a maioria dos turistas aproveite a oportunidade para se arriscar e fazer pelo menos uma aula de kitesurf durante a estadia para entender por que esse esporte tem encantado cada vez mais gente.


Neo FEED

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