Justiça começa a ouvir testemunhas do caso da servidora itaremense da AL morta por diarista; filho pede justiça



 

Segundo a Polícia, a diarista é a mentora do crime. A companheira dela e outras duas mulheres também foram presas por envolvimento no caso, ocorrido em novembro do ano passado




Um anos depois da morte da servidora aposentada da Assembleia Legislativa do Ceará, Liduína Maria Junior Rios, de 60 anos, começaram a ser ouvidas as testemunhas de defesa e de acusação do caso. A audiência foi realizada na 2ª Vara da Comarca do Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A vítima foi encontrada pelo filho amarrada e amordaçada dentro de casa no Bairro Coaçu, na noite do dia 27 de novembro de 2019. Quatro mulheres foram presas por suspeita de participação no no latrocínio.

Duas das quatro acusadas do crime participaram da sessão, a diarista Maria Aparecida Pereira Nascimento,que trabalhava na casa da servidora e Najda Maria de Araújo Lopes, que foi encontrada com pertences da vítima. O filho da servidora, o advogado Fred Rios, uma vizinha da família e um policial civil também foram ouvidos como testemunhas. 

Depois de serem captadas todas as oitivas, a representante ministerial entendeu que as testemunhas que faltaram à audiência deveriam comparecer em uma nova data para prestar os seus esclarecimentos. A juíza, por sua vez, atendeu o pedido de condução coercetiva das testemunhas faltosas e terminou a sessão. Uma nova audiência para que sejam ouvidas as outras testemunhas deve acontecer em janeiro de 2021.

Filho relata dor e espera por justiça

O advogado e filho da servidora morta, Fred Rios Nóbrega, disse que foi bastante difícil participar de uma audiência como testemunha da morte da própria mãe, justamente um anos depois do caso. Emocionado, ele chegou a interromper o depoimento por várias vezes. Em sua fala, ele pediu para acrescentar ao processo o fato de que além de latrocínio e receptação, a mãe também foi torturada.

"Pedi que fosse acrescentado o fato de que minha mãe foi brutalmente torturada e não só vítima de latrocínio e receptação, pois de fato, quando a encontrei em casa, ela estava amarrada, amordaçada, com os olhos vendados e duas facas cravadas no pescoço e no tórax", afirmou.

Para ele, não importa tempo que o julgamento ainda vá demorar para ser concluído, contanto que seja feita justiça pela perda da mãe e as responsáveis devidamente punidas. Enquanto isso não acontece, ele tem de conviver com a dor e a saudade da mãe.

"Sei que ainda vai demorar um pouco a terminar o processo de instrução e julgamento e que nada vai trazer o meu amor de volta, mas espero que a justiça seja feita o mais breve possível e que as culpadas sejam condenadas e paguem pelo crime que fizeram. Hoje minha vida não tem mais sentido, mas estou tentando continuar a viver por minha mãe, minha rainha, a quem devo tudo na minha vida", finaliza.

Diarista confessou crime

A diarista Maria Pereira do Nascimento confessou em depoimento à polícia ter dopado à força a servidora aposentada da Assembleia Legislativa do Ceará, Liduína Maria Junior Rios, de 60 anos, encontrada morta pelo filho dentro da própria casa, no bairro Coaçu, em Eusébio, na noite da última quarta-feira (27). De acordo com a polícia, a servidora foi achada dentro da residência com duas facas cravadas no corpo. Uma na região no pescoço e outra no peito. A servidora também foi amordaçada e amarrada.

Segundo o delegado Renato Almeida, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, a diarista logo cedo pela manhã, tentou dopar a vítima e o filho dela. No entanto, os medicamentos, segundo a diarista, não fizeram efeito no filho, que saiu de casa em seguida. 

“Desde o primeiro momento em que ela chegou lá na casa pela manhã, ela já tentou preparar dando alguns medicamentos tanto para a vítima [Liduína] e para o filho dela colocando medicamento na comida, soníferos, antidepressivo, tentando fazer com que eles adormecessem ou algo do tipo. Ela confidenciou que não deu certo fazer isso com o filho. Nele, no filho, não fez o efeito esperado e que ela não tinha conseguido que a Liduína ingerisse um suco ou então uma comida com o medicamento que ela colocou", afirmou o delegado. 

A delegada Gerda Monteiro reforça que já que a vítima não havia dormido com os medicamentos, a diarista forçou a servidora, mais tarde, a tomar os comprimidos à força. “Ela tentou colocar num suco e a vítima não quis tomar e depois elas fizeram a vítima ingerir à força o comprimido”.  

Ainda durante o depoimento, de acordo com o delegado, a diarista disse que começou a planejar o crime após ter encontrado um extrato bancário da servidora no valor de R$ 60 mil

“Ela disse que o crime se deu início a partir do momento em que ela [diarista] olhou um extrato bancário da Liduína. Esse extrato bancário teria o valor na conta de R$ 60 mil. E então, a partir daí, ela começou a arquitetar o plano. Depois de uma semana ela colocou seu plano em prática. Conseguiu ter acesso essa conta através do aplicativo pelo celular ou conseguindo digital da vítima ou então conseguindo a senha através das anotações, mas não tinha o dinheiro que ela esperava”. 

Ainda segundo o delegado, uma das comparsas afirmou que depois que a quantia de R$ 60 mil não foi encontrada na conta da servidora, elas decidiram assassiná-la. “A Jéssica Caroline nos confidenciou que depois que elas viram que não tinham dinheiro, e começaram a ficar nervosas, disseram que aquele dinheiro não valeria a pena, pois só tinha R$ 1 mil na conta e, então, só aí, decidiram matar a Liduína”. 

Outro fato que chamou a atenção da polícia foi a frieza com que o crime foi praticado.  “Foram duas facadas pelo menos. Ela foi encontrada com duas facas encravadas, uma na região no pescoço e outra na região do peito, amarrada e amordaçada”, disse Renato. 

Prisão

A diarista, a companheira dela, identificada como Adriana Lúcia Bianc, de 29 anos, e uma terceira suspeita foram presas entre a noite da quinta-feira (28) e a madrugada desta sexta-feira (29), na Comunidade da Babilônia, no bairro Barroso. A quarta suspeita foi presa no Conjunto Jereissati 3, em Maracanaú. A polícia afirmou que elas pretendiam fugir para o Estado do Rio Grande do Sul.  Com elas, a polícia encontrou malas pertencentes à vítima e, dentro delas relógios, pulseiras, roupas, anéis, laptop, dinheiro e até xampu. 


Diário do Nordeste

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